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Barraco, favela e zinco

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 Dando continuidade ao assunto imagem e representações da favela. O post de hoje traz dois sambas de Wilson Batista (foto): “Mundo de zinco” e “Mundo de madeira”.

“Mundo de zinco” é um elogio a Mangueira. Foi composto em 1951, em  parceria com Antônio Nássara e gravado por Jorge Goulart. Em 1977, foi regravado pelo  grupo vocal MPB-4 no LP “Antologias volume 2”.

“Aquele mundo de zinco que é mangueira
Desperta com o apito do trem
Uma cabrocha, uma esteira
Um barracão de madeira”

Já “Mundo de Madeira”, foi gravado em 1955. O samba é de Wilson Batista com Jorge de Castro.

Lá, lá na barreira do pasto
Eu também tenho um barracão
Pra repousar meu casco
Lá, lá na barreira do pasto
Eu também tenho um barracão
Pra repousar meu casco

Lata de banha furada / É fogão
Barril serrado no meio / É banheira
Luz da Light / É lampião
Tudo é diferente
Naquele mundo de madeira

Lá, lá na barreira do pasto
Eu também tenho um barracão
Pra repousar meu casco
Lá, lá na barreira do pasto
Eu também tenho um barracão
Pra repousar meu casco

Imagens da favela

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No post passado escrevi sobre barracos, em diferentes situações, mas acabei não ilustrando o texto. Para compensar a minha falta, escolhi um vídeo bem bacana para hoje!

Marlene cantando “Lata D’água na Cabeça”. As imagens do clip foram extraídas do filme “Tudo Azul”, de Moacyr Fenelon, lançado em 1951. Elas mostram os antigos barracos do Morro da Favela [atual Morro da Providência] e também a Capela da Almas, construída em 1902, no topo morro, em homenagem aos que lutaram em Canudos.

Uma favela de belos barracos

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Já dizia Zé Ketti:o samba é a voz do morro, então vamos lá!

O post de hoje é sobre barracos!

Vou começar com “Barracão” de Luiz Antônio e Oldemar Magalhães, a canção é um triste retrato dessas habitações. A partir dela é possível fazer uma analise sócio espacial do país. Foi gravada originalmente em 1953, por Heleninha Costa.

“Ai, barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
À cidade a seus pés”

Em 1968, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Conjunto Época do Ouro regravam a música. Bravo!

Como não existe favela de um barraco só, Jair do Cavaquinho e José Bispo contribuíram para o crescimento da comunidade. “No Meu Barracão de Zinco” tem uma história bastante interessante. Jair conta no álbum Sesc/Ensaios Paulinho da Viola e os Quatro Crioulos (1990) que a composição inicial de Walter Rosa não levantava a quadra. “O samba era muito lindo mas de tão lindo o povo não cantava” [Walter era conhecido por suas letras com português rebuscado]. Jair foi pra casa, e em um papel de cigarro fez as modificações que transformariam “No Meu Barracão de Zinco” em sucesso.

“Em meu barracão de zinco
depois que ela foi morar
a minha vida se descontrolou
me sacrificando por uma mulher que não me tem amor”

Jamelão gravou a música.

-x-x-

Os incêndios foram e ainda são um dos maiores pesadelos para as favelas. Na Praia do Pinto – comunidade carioca removida em 1969 – praticamente todos os barracos foram devastados pelo fogo. Até hoje, não se sabe se o incêndio foi acidental ou se foi uma tentativa do Governo em adiantar o processo de remoção.

A música “Barracão pegou fogo” de Ari Carvalho e Ari Borges descreve a tristeza de ver sua casa sendo arrasada pelo fogo.

“nóis fiquemos sem lar
Isabé saiu gritando
onde nóis vai morar
abracei a Isabé
que chorava sem parar
enxuguei suas lágrimas
vendo o barraco queimá.
Só Deus sabe a minha dor”

Pra finalizar, não poderia deixar de falar em “Ave Maria no Morro”, de Herivelto Martins. O samba-canção, composto em 1943, foi  inspirado no barulho dos pardais se recolhendo nas árvores para dormir.

Herivelto Martins e Dalva de Oliveira apresentaram o esboço do novo samba para Benedito Lacerda. Terminada a cantoria, “Benedito tirou os óculos, esfregou os olhos e disse: meu compadre, isso é música de igreja, vamos fazer música para ganhar dinheiro”.

“Ave Maria no Morro” foi gravada pelo Trio de Ouro (Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas), na época o Cardeal Dom Sebastião Leme pediu a proibição da musica por considerá-la uma heresia.

“Barracão de zinco
Sem telhado, sem pintura lá no morro
(…)
Fica bem pertinho do céu
Tem alvorada, tem passarada
No amanhecer sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer
E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece
Ave Maria”

Fontes:
http://www.paixaoeromance.com/40decada/avemariadalva42/ave_maria.htm
http://institutocravoalbin.com.br
www.favelatemmemoria.com.br